DeepSeek Vence pelo Algoritmo, IA quer Sair das Telas, BYD Bate Recorde Histórico e o Legado que a IA nos deixou em 25
Bom dia! Hoje é 2 de janeiro. Neste mesmo dia, em 2004, a sonda Stardust da NASA fazia história ao coletar amostras de poeira do cometa Wild 2, tornando-se a primeira missão a trazer material cometário à Terra.
Vinte e dois anos depois, iniciamos 2026 com os olhos voltados não mais para o espaço distante, mas para uma revolução que acontece aqui embaixo: uma inteligência artificial mais barata, robôs que aprendem a existir no mundo físico, e uma indústria automotiva global sendo redesenhada por mãos chinesas.
O novo ano começa onde 2025 terminou: na aceleração.
DeepSeek pisa fundo em seu Trunfo
A DeepSeek iniciou 2026 como terminou 2025: pressionando os limites do que se considerava possível em treinamento de modelos de inteligência artificial. A startup chinesa - já no início deste ano - anunciou um novo método que promete reduzir ainda mais os custos e o tempo necessários para treinar sistemas de IA de grande escala, consolidando o diferencial que a transformou em fenômeno do setor.
Enquanto laboratórios ocidentais como a OpenAI e a Anthropic seguem operando - e, diferentemente da DeepSeek, inovando - com orçamentos bilionários e clusters de GPUs que consomem a energia de pequenas cidades, a DeepSeek demonstra que a aposta inovação algorítmica mais acessível pode ser tão decisiva quanto a força bruta computacional.
O avanço se insere em uma estratégia deliberada de Pequim: diante das restrições americanas à exportação de chips avançados, a China enfrenta certa dificuldade (mesmo que pequena) para competir em hardware frente as gigantes ocidentais. Portanto, sua aposta vem sendo em eficiência.
Treinar modelos melhores com menos recursos não é apenas uma vantagem econômica; é uma das respostas geopolíticas às sanções de Washington - assim como fez com seu mercado de carros elétricos. Se a DeepSeek e outras empresas chinesas conseguirem democratizar o acesso a IA de ponta com custos drasticamente menores, o oligopólio das Big Techs americanas será desafiado não pelo mesmo jogo, mas por regras inteiramente novas.
Para o mercado global, a mensagem é clara: a corrida da IA em 2026 será tanto sobre algoritmos quanto sobre silício.
Big Techs testam o apetite do consumidor por IA no mundo físico
A Consumer Electronics Show (CES) de Las Vegas abre suas portas esta semana com uma pergunta que definirá o próximo ciclo tecnológico: o consumidor está pronto para IA que sai da tela e habita o mundo real?
Samsung, Lenovo, Nvidia e dezenas de outras empresas apresentaram uma nova geração de robôs domésticos, wearables inteligentes e dispositivos vestíveis que prometem transformar assistentes virtuais em presenças físicas. Não se trata mais de perguntar ao ChatGPT qual receita fazer; trata-se de um robô que abre a geladeira, identifica os ingredientes disponíveis e sugere o jantar enquanto pré-aquece o forno.
Esta transição de uma IA conversacional para uma IA incorporada representa o próximo grande salto de complexidade técnica e de implicações sociais. Robôs que navegam ambientes domésticos precisam de visão computacional, coordenação motora, compreensão contextual e, sobretudo, segurança. Um chatbot que erra uma resposta causa frustração; um robô que erra um movimento pode causar danos reais - ao passo que, desta vez, os ganhos também serão cada vez mais tangíveis a toda uma população que, em muitas vezes, não observa os ganhos reais da IA em seu dia a dia.
As empresas que dominarem essa integração entre inteligência artificial e presença material capturarão mercados imensos, desde cuidados com idosos até logística residencial. Mas o desafio regulatório e ético crescerá cada vez mais na mesma proporção: quem será responsabilizado quando a IA não apenas disser, mas fizer algo errado?
BYD bate recorde e demonstra a ascensão chinesa no setor automotivo
A BYD encerrou 2025 com um recorde absoluto: 4,6 milhões de veículos vendidos, consolidando sua posição como a maior fabricante de carros elétricos e híbridos do planeta. O número não é apenas uma marca comercial, mas é um símbolo de uma transformação estrutural da indústria automotiva global.
Enquanto montadoras tradicionais como Volkswagen, Ford e General Motors enfrentam reestruturações, fechamento de fábricas e demissões em massa - seja por motivos geopolíticos ou internos -, a BYD expande suas operações na Ásia, Europa e (principalmente) América Latina, com uma combinação de escala, integração vertical e domínio total de cadeia produtiva, seja de baterias ou de softwares, algo que seus rivais ocidentais simplesmente não conseguem replicar.
O crescente sucesso chinês no setor automotivo (e em todos os outros) é, em parte, consequência de décadas de uma política industrial deliberada, planejada e empenhada, com subsídios, proteção de mercado interno, investimento em minerais estratégicos como lítio e cobalto, manutenção patriótica de sua malha industrial e uma aposta precoce na eletrificação enquanto o Ocidente ainda debatia sobre a transição.
Esse tipo de política reflete uma capacidade de execução que desafia estereótipos, afinal, para as montadoras tradicionais, a pergunta que fica deixa de ser “se” perderão mercado para as chinesas, e passa a ser simplesmente “quanto” perderão. Portanto, para os governos ocidentais, o dilema - em vista da clara superioridade chinesa - será entre: proteger cada vez mais suas indústrias domésticas com tarifas e proteções (como foi a aposta de Trump) ou acelerar as apostas em seu próprio modelo econômico que, uma vez posto em prática, já foi o grande vencedor dos mercados globais.
2026 será o ano em que essas escolhas terão consequências visíveis.
Retrospectiva Tech 2025: o ano em que a IA deixou de ser promessa
Olhar para 2025 é observar o momento em que a inteligência artificial cruzou o limiar da curiosidade para se tornar infraestrutura. Este ano foi o momento em que agentes autônomos começaram a executar tarefas reais, em que modelos de linguagem foram integrados a sistemas corporativos críticos, e em que a disputa EUA-China por supremacia tecnológica deixou de ser manchete ocasional para se tornar pano de fundo permanente de decisões empresariais e políticas.
A DeepSeek emergiu como contraponto à hegemonia do Vale do Silício; a Nvidia se consolidou como a empresa mais valiosa do planeta; e a corrida por datacenters transformou energia elétrica e água em gargalos estratégicos tão relevantes quanto chips.
Mas 2025 também foi o ano, também, das perguntas não respondidas. A regulação de IA avançou de forma fragmentada, com a União Europeia impondo regras que os Estados Unidos e a China evitaram, seguindo seu próprio caminho. Deepfakes influenciaram eleições, fraudes algorítmicas se sofisticaram, e o debate sobre direitos autorais de dados de treinamento permaneceu sem resolução.
O legado de 2025 é, portanto, ambivalente: provamos que a tecnologia funciona, mas ainda não decidimos como governá-la. O ano que se inicia herda essa tensão. A IA já está entre nós - o que faremos com ela ainda está em aberto.








