Colônia Industrial Chinesa, Claude no Slack, Coalização pelo Trabalho e IA Autora de Livros
Bom dia! Hoje é 29 de junho. Nesse mesmo dia, em 2007, o primeiro iPhone do mundo foi vendido. Isso aconteceu às 18h. Esse dia mudou a história e permitiu que quase tudo o que temos hoje fosse possível. Afinal de contas, ninguém consegue se afastar muito tempo do seu smartphone, não é?
Colônia Industrial da China?
Pelo menos 8 montadoras chinesas já definiram planos para produzir veículos no Brasil: BYD, GWM, GAC, Geely, Leapmotor, Changan, MG Motor e Omoda & Jaecoo. Algumas estão construindo fábricas próprias, outras utilizarão estruturas já existentes por meio de parcerias com Renault, Stellantis, Caoa, Comexport e Jaguar Land Rover. O movimento marca uma nova fase da estratégia chinesa no país.
Os cronogramas já estão em andamento. A BYD acelera a operação de Camaçari (BA). A GWM prepara o início da produção em Iracemápolis (SP). A GAC anunciou sua fábrica em Catalão (GO). A Geely produzirá ao lado da Renault no Paraná. A Leapmotor utilizará a planta da Stellantis em Pernambuco. Enquanto isso, Changan, MG Motor e Omoda & Jaecoo avançam em negociações e adaptações para iniciar suas operações locais nos próximos meses.
A estratégia vai muito além de escapar do aumento do imposto de importação. Produzir no Brasil significa ganhar competitividade, desenvolver fornecedores locais, adaptar veículos ao mercado brasileiro (incluindo híbridos flex) e transformar o país em uma plataforma de exportação para toda a América Latina. Não é apenas uma decisão industrial. É uma decisão geopolítica.
O recado é claro: a China não quer apenas vender carros no Brasil. Quer fabricar aqui, investir aqui e disputar o futuro da indústria automotiva a partir daqui. A pergunta que fica é como as montadoras tradicionais responderão quando a concorrência deixar de vir dos navios e passar a sair das linhas de produção brasileiras.
Coloca o Claude no Slack
A Anthropic lançou o Claude Tag, uma nova forma de usar IA dentro do Slack. A lógica é simples: a empresa dá acesso ao Claude a determinados canais, ferramentas, dados e até bases de código. A partir daí, qualquer pessoa do grupo pode marcar @Claude e delegar uma tarefa, como faria com um colega de trabalho.
Na prática, ele acompanha o contexto do canal, entende o histórico das conversas e responde em threads com o trabalho realizado. Dá para pedir para ele analisar métricas, investigar um problema, resumir discussões, organizar tarefas, buscar informações em ferramentas conectadas ou até ajudar times de engenharia com código. A própria Anthropic diz que 65% do código do seu time de produto já é criado com uma versão interna desse modelo.
O ponto mais importante é que o Claude não funciona como um chatbot isolado. Ele é “multiplayer”. Todo mundo do canal vê o que foi pedido, acompanha o andamento e pode continuar a conversa de onde outro colega parou. Além disso, ele pode trabalhar de forma assíncrona: você delega, volta para suas prioridades e ele executa a tarefa em etapas.
Esse é um sinal enorme sobre o futuro do trabalho. A IA começa a sair da aba separada do navegador e entra no fluxo real da empresa. Menos “abrir o ChatGPT para perguntar algo”. Mais “chamar um agente dentro do time para resolver uma parte do trabalho”. O próximo salto de produtividade não virá apenas de usar IA individualmente, mas de aprender a delegar trabalho para agentes dentro dos ambientes onde as empresas já operam.
Coalização pelo Futuro do Trabalho
Amazon, Microsoft, OpenAI, Anthropic e outras gigantes anunciaram apoio ao RAISE US, uma iniciativa que pretende arrecadar US$ 1 bilhão para preparar trabalhadores para a economia da inteligência artificial. O projeto reunirá empresas, governos estaduais, educadores e formuladores de políticas públicas para criar programas de requalificação profissional, testar novos modelos de transição de carreira e acelerar a adaptação da força de trabalho à IA.
O mais interessante não é o programa em si. É o fato de que as empresas que estão criando as tecnologias mais disruptivas do planeta agora também estão investindo em como a sociedade lidará com seus impactos. A discussão deixou de ser “a IA vai mudar o trabalho?” para se tornar “como preparar milhões de pessoas para essa mudança?”.
Esse movimento revela um sinal importante. Quando governos, Big Techs, universidades e empresas começam a construir, juntos, estruturas para requalificação profissional, é porque a transformação deixou de ser uma hipótese distante. Ela já entrou no planejamento estratégico. O futuro do trabalho não será definido apenas pela evolução da IA, mas pela velocidade com que pessoas, empresas e países conseguirem se adaptar a ela.
IA é a maior escritora do mundo
O gráfico mostra um movimento impressionante na Amazon. Durante anos, o número de novos e-books publicados por mês permaneceu relativamente estável. Depois do lançamento do ChatGPT 3.5, no fim de 2022, acontece uma ruptura. O volume de livros criados com inteligência artificial dispara e passa a representar boa parte do crescimento das novas publicações na plataforma.
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O dado mais interessante é que os livros escritos sem IA continuam existindo em um ritmo parecido com o de antes. O crescimento vem da nova camada criada pela inteligência artificial. Pessoas que talvez nunca tivessem publicado um livro agora conseguem transformar conhecimento em conteúdo, testar ideias, criar materiais técnicos, guias, romances e produtos digitais em uma velocidade que simplesmente não existia há poucos anos.
Isso nos obriga a olhar para além do mercado editorial. A IA está reduzindo drasticamente o custo de produzir ativos intelectuais. Livros, cursos, relatórios, pesquisas, apresentações, manuais, treinamentos... tudo isso passa a ser criado por muito mais gente. A escassez deixa de estar na produção. Ela migra para a credibilidade, a originalidade e a capacidade de construir confiança.
Talvez esse gráfico não conte apenas a história dos livros. Ele mostre o início de uma nova economia, em que o conhecimento deixa de ser limitado pela capacidade de produzir conteúdo e passa a ser limitado pela capacidade de gerar ideias que realmente mereçam ser publicadas.






