Claude x ChatGPT, Remédios com IA, Dinheiro por Elogio e IA no Jurídico
Bom dia! Hoje é 30 de março. Num dia como hoje, em 2006, Marcos Pontes tornou-se o primeiro astronauta brasileiro a ir para o espaço. Ele decolou a bordo da nave russa Soyuz TMA-8 e passou 8 dias na Estação Espacial Internacional.
Usuários ou Pagantes?
O jogo virou. E não foi no número de usuários. Foi no comportamento de quem paga. Nos últimos meses, o Claude, da Anthropic, começou a mostrar um sinal muito mais relevante do que downloads: gente colocando o cartão de crédito na mesa. Entre janeiro e fevereiro, o volume de assinantes pagos disparou, com crescimento recorde e retorno de usuários antigos no maior nível já visto. Mais do que isso, o número total de assinaturas pagas mais do que dobrou no ano.
Isso muda completamente a natureza da disputa. O ChatGPT ainda domina no número total de usuários, mas o Claude está ganhando onde realmente importa: os que pagam pelo serviço. E aqui tem um detalhe importante: a maioria desses usuários está entrando no plano mais simples, de US$20 por mês. Ou seja, não são usuários técnicos, desenvolvedores ou coisa assim. É gente comum, como você e eu, que decidiu escolher o Claude ao invés (ou junto) com o ChatGPT.
Mas o Claude não avança só por causa do marketing ou do preço baixo. A Anthropic construiu uma narrativa de produto mais confiável, mais “seguro” e, principalmente, mais consistente em tarefas complexas, especialmente código, automação e raciocínio mais estruturado. E pesquisas já mostram isso: usuários escolhem o Claude justamente pela qualidade das respostas.
O Claude virou a maior ameaça ao ChatGPT por um motivo simples: ele não está tentando ser o algoritmo mais popular. A Anthropic está se esforçando para entregar um serviço melhor, que gere um trabalho melhor e seja percebido como a principal camada de valor da inteligência artificial, até aqui.
Remédios com IA
A era dos medicamentos feitos com IA chegou. E já começou com dinheiro na mesa. A Eli Lilly fechou um acordo de até US$ 2,75 bilhões com a Insilico para desenvolver novos remédios usando inteligência artificial.
A lógica é bem simples: descobrir um medicamento sempre foi um processo lento, caro e incerto. Mas a IA pode encurtar esse ciclo. Em vez de anos testando hipóteses, os algoritmos atuais podem desenhar moléculas, simular interações e priorizar o que realmente tem chance de funcionar. É menos sobre “tentativa e erro” e mais sobre “um passo (largo) após o outro".
Quando uma gigante como a Lilly aposta nisso, uma coisa fica clara: a corrida deixou de ser só científica e virou também tecnológica, computacional. Quem tiver melhores modelos, mais dados e mais capacidade de testar rápido, encontrará antes o “novo graal”. E quem chega antes, captura os primeiros bilhões.
Mas, no fim das contas, é mais sobre velocidade do que tecnologia. Na indústria farmacêutica, tempo é tudo. É mais chance de cura para os pacientes, mais qualidade de vida para todos e, óbvio, muito mais lucro para quem descobre a cura.
US$ 1 mil para elogiar
A Amazon começou a pagar até US$ 1.000 para entregadores publicarem relatos positivos sobre o trabalho. E isso vai muito além de uma campanha narcisista de marketing. A empresa está literalmente incentivando a criação de narrativas favoráveis. E isso diz muito mais sobre o momento atual do que parece à primeira vista.
Durante anos, avaliações foram um reflexo do que acontecia. Clientes compravam, usavam e avaliavam. Agora, esse fluxo começa a ser influenciado de forma direta. E aqui está a virada: não são mais pessoas que leem essas avaliações. São agentes de IA. No Agentic Commerce, quem decide não é você. É um sistema que varre avaliações, reputação, histórico e contexto para recomendar ou executar a compra.
Ou seja, controlar a narrativa significa influenciar os algoritmos de decisão. Se antes uma avaliação positiva ajudava na conversão, agora ela pode ser determinante para entrar (ou não) no radar de um agente. O importante agora não é apenas saber se o cliente gostou. É fazer com que o sistema entenda que o processo é confiável.
No fim, a Amazon não está pagando por elogios. Está investindo em posicionamento dentro de um novo intermediário invisível: os agentes. Porque, no mundo que está emergindo, não vence quem é melhor. Vence quem é melhor interpretado pelos sistemas que decidem por nós.
Doutor IA.
A IA já entrou no direito. E não entrou devagar. Segundo estudo ligado à OAB, 77% dos advogados no Brasil já usam alguma ferramenta de IA. Nos grandes escritórios, isso já é praticamente padrão. Nesse nível, isso já deixa de ser diferencial e passa a ser o elemento básico de competitividade.
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O uso também não é sofisticado no sentido acadêmico. É direto ao ponto. Pesquisa jurídica, revisão de contratos, análise de documentos… Aquilo que consumia horas de leitura e checagem agora acontece em minutos. E não é sobre substituir o advogado. É sobre comprimir o tempo da operação.
O problema é que quando o tempo muda, o modelo quebra. Se uma tarefa que levava 5 horas agora leva 1, cobrar por hora começa a perder sentido. O cliente não aceita pagar pelo tempo antigo em um mundo novo. Ao invés de ligar o “taxímetro jurídico", os escritórios terão que vender “solução” ao invés de horas.
No fim, o direito está entrando na mesma lógica que outras indústrias já começaram a viver. O valor não estará mais no esforço, mas no resultado gerado e na entrega de valor. A forma como se chega ao resultado esperado é menor importante. Não importa, de verdade, se foram horas ou minutos, desde que o resultado seja positivo.






