ChatGPT no Excel, IA na Tomografia, Salário do CEO do Google e a Nova Guerra dos Chips
Bom dia. Hoje é 9 de março. Nesse mesmo dia, em 1500, a armada de Pedro Álvares Cabral zarpava de Lisboa, rumo à Índia, resultando na descoberta do Brasil. Atualmente parece que estamos numa “nova era do descobrimento”, mas ao invés de naus e caravelas, usamos algoritmos.
O ChatGPT foi pra dentro do Excel
O ChatGPT agora está dentro do Excel. E isso muda imediatamente a forma como milhões de pessoas trabalham com dados. Durante décadas, o Excel exigia que as pessoas falassem a língua das fórmulas. PROCV, SOMASE, ÍNDICE, CORRESP. Quem dominava isso parecia que era mais produtivo.
Agora, chegou o momento de criar vantagem competitiva de verdade. Afinal de contas, ninguém precisa mais de fórmulas. Basta escrever o que você quer em linguagem natural e a planilha faz o resto. Muitas correlações que estavam no seu cérebro mas não cabiam numa fórmula agora passam a fazer sentido.
Isso aumenta a produtividade instantaneamente. Tarefas que levavam horas para construir fórmulas, organizar dados ou montar análises agora podem ser resolvidas em minutos. E quando a produtividade individual sobe, a expectativa das empresas também sobe.
O diferencial competitivo deixa de ser saber usar a ferramenta e passa a ser saber fazer as perguntas certas. É mais sobre a capacidade do humano do que necessariamente a ferramenta que esse ser utiliza. No fim das contas, fica cada vez mais claro que a inteligência artificial vai potencializar o trabalho.
IA que lê tomografias e ressonâncias
O Google lançou o MedGemma 1.5, modelo de IA que analisa tomografias, ressonâncias e lâminas de patologia em 3D. A Malásia já usa a tecnologia para navegar mais de 150 diretrizes clínicas. Taiwan analisou 30 mil laudos de patologia para decisões cirúrgicas em câncer de pulmão.
O mercado de IA em saúde movimenta US$ 52 bilhões em 2026 e tem projeção de US$928 bilhões até 2035. Organizações de saúde adotam IA 2,2 vezes mais rápido que outros setores. E isso explica outros movimentos.
A Amazon está investindo cada vez mais em algoritmos capazes de substituir tarefas médicas de baixa complexidade, preparando seus algoritmos para atender os clientes da OneMedical nos Estados Unidos.
Já a Apple investe cada vez mais em inteligêcia artificial aplicada aos seus dispositivos: Apple Watch e AirPods já são “máquinas de saúde” que podem capturar dezenas de indicadores e dizer, por exemplo, se o usuário está com a pressão alta.
Vale quanto inova?
O CEO do Google, Sundar Pichai, pode receber até R$ 3,5 bilhões em salários até 2029, segundo um novo pacote de remuneração divulgado pela empresa. Mas o mais interessante não é o valor. É como ele será pago.
Grande parte dessa remuneração depende do desempenho do próprio Google e do crescimento de novos negócios como Waymo (carros autônomos) e Wing (entregas por drones). Ou seja, não é apenas salário. É incentivo direto para criar novas gigantes dentro do Google.
Isso mostra como as big techs pensam: pagar bilhões não é custo. É investimento em liderança capaz de criar trilhões em valor. Sob o comando de Pichai, o valor de mercado da Alphabet saiu de cerca de US$535 bilhões em 2015 para trilhões de dólares hoje.
No fim das contas, a lógica é simples. Quando um executivo consegue multiplicar o valor de uma empresa, um bônus bilionário passa a parecer barato. É a velha lógica do preço e valor. Só que aqui é inovação e valor.
A nova guerra dos chips
A história é meio surreal, mas explica bem como funciona a geopolítica dos chips. Existe uma empresa chamada Nexperia, uma fabricante de semicondutores usada em carros, eletrônicos e equipamentos industriais. Ela tem sede na Holanda, mas foi comprada por uma empresa chinesa chamada Wingtech. Ou seja, virou uma empresa holandesa com dono chinês.
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O problema começou quando o governo da Holanda decidiu intervir na empresa por razões de segurança tecnológica. Isso irritou a China, que respondeu com restrições de exportação de chips feitos nas fábricas chinesas da Nexperia, o que já chegou a afetar a produção global de carros.
Agora o conflito escalou de novo. A unidade chinesa acusa a sede holandesa de bloquear sistemas internos e interromper operações, enquanto os europeus dizem que não houve impacto real. Pequena briga corporativa? Não. A China já alertou que isso pode gerar uma nova crise global de chips.
A leitura é esta: não é uma disputa empresarial. É mais um capítulo da guerra tecnológica entre China, Europa e Estados Unidos. E quando chips entram na disputa, o impacto aparece rápido em carros, eletrônicos e em toda a economia global.






