A Angústia é a Vertigem da Liberdade
Muita gente interpreta essa frase como algo negativo, mas talvez ela revele exatamente o contrário: a angústia aparece quando percebemos que podemos ir além.
Pense naquele momento em que você percebe que tem potencial para mais. Mais impacto, mais alcance, mais criação, mais construção. Não é o medo de cair que aparece primeiro. É a consciência de que existe um próximo nível possível.
E essa percepção traz uma espécie de vertigem. Porque ir além exige decisão. Exige sair do confortável. Exige abrir mão da versão atual de si mesmo para dar espaço a uma versão maior. É nesse ponto que a angústia surge. Não porque algo está errado. Mas porque você percebeu que a sua história ainda pode crescer.
A angústia aparece quando você enxerga um novo projeto que poderia construir. Quando percebe que poderia liderar algo maior. Quando entende que poderia transformar uma ideia em realidade. Quando sente que há mais capacidade dentro de você do que aquilo que está sendo usado hoje.
Esse sentimento incomoda porque revela algo importante: a liberdade de escolher avançar. Seria mais simples não perceber isso. Seguir no automático, repetir o que já funciona, continuar exatamente onde está. Mas, no momento em que você percebe o seu potencial, a escolha deixa de ser invisível.
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Agora você sabe. Sabe que poderia tentar. Sabe que poderia construir. Sabe que poderia se arriscar. E essa consciência cria a vertigem. Talvez seja por isso que tanta gente tenta silenciar a própria angústia. Mas Kierkegaard, filósofo dinamarquês do século XIX, sugeria que ela não é um problema a ser eliminado. Ela é um sinal.
A angústia aparece quando o futuro se abre diante de você. Ela surge quando a vida está dizendo: há mais caminho pela frente. Talvez a pergunta não seja “como eliminar essa angústia”. Talvez a pergunta seja outra. Que versão maior de mim está tentando nascer aqui?
Porque toda vez que a liberdade aparece, ela vem acompanhada dessa vertigem. E, muitas vezes, é justamente ali que começa a parte mais interessante da nossa história.




Fantástico texto Junior, na Psicanálise, mais precisamento Lacan nos trás um ponto muito semelhante a esse nos dizendo que a a Angústia é o único Afeto que não mente. O marca para nos estruturarmos a partir daí em uma análise o ponto de Angústia é onde a análise (terapia) realmente começa. Obrigado pelos seus textos.